Por Rodrigo de Souza
Durante boa parte do tempo, fazemos questão de nos dividir.
Dividimos opiniões, partidos, religiões, classes sociais, bairros, gerações e até amizades. Nas redes sociais, então, parece que qualquer diferença vira motivo para conflito. Quem pensa diferente logo é tratado como adversário. Às vezes, como inimigo.
Mas existe um momento curioso em que tudo isso parece perder força.
Quando o Brasil entra em campo.
De repente, o empresário e o funcionário torcem pelo mesmo gol. O jovem e o idoso gritam juntos. O morador do centro e o da periferia vestem a mesma camisa. Pessoas que discordam de quase tudo, por noventa minutos, concordam em uma coisa: querem ver o Brasil vencer.
E talvez essa seja uma das maiores belezas do esporte.
Ele não apaga os problemas do país. Não resolve a fila da saúde, não melhora a educação, não diminui o preço dos alimentos e nem coloca dinheiro no bolso do trabalhador.
Mas ele nos lembra de algo que às vezes esquecemos: ainda somos capazes de sentir juntos.
Num tempo em que tanta gente lucra com a divisão, o esporte mostra que a união ainda é possível. Mostra que podemos vibrar pelo mesmo objetivo, respeitar o adversário, aceitar o resultado e recomeçar no próximo jogo.
Neste domingo, às 17 horas, isso vai acontecer novamente.
Milhões de brasileiros vão parar diante da televisão. Não para perguntar em quem o outro votou, quanto ganha, onde mora ou qual religião segue. Mas para torcer pelo mesmo sonho.
Durante noventa minutos, o Brasil será apenas Brasil.
Pena que a Copa dure tão pouco.
Porque o país de que mais precisamos talvez seja justamente esse que aparece durante os jogos. ‘O Brasil da União’.
Rodrigo de Souza: Mestre em Comunicação, Cultura e Arte, Publicitário, Jornalista por vocação e apaixonado por boas histórias