Por Rodrigo de Souza
Existe uma pergunta que deveria orientar todas as decisões tomadas em uma cidade, mas que raramente ocupa espaço nas discussões públicas:
Que Assis queremos deixar para a próxima geração?
Vivemos um tempo em que os debates costumam girar em torno de crises, denúncias, disputas políticas, obras, impostos e problemas do dia a dia. Todos esses assuntos são importantes e merecem atenção. Afinal, administrar uma cidade exige enfrentar desafios concretos.
Mas existe uma responsabilidade ainda maior: pensar no futuro.
Quando observo meus filhos crescendo, percebo que eles não enxergam a cidade pelos mesmos olhos que nós. Eles não conhecem as disputas políticas, os interesses ou as diferenças ideológicas. Enxergam apenas uma praça para brincar, uma escola para aprender, uma rua segura para caminhar, uma árvore que oferece sombra, um professor que inspira, um vizinho que cumprimenta e uma comunidade onde se sintam pertencentes.
Talvez seja justamente esse olhar simples que mais nos ensine.
Uma cidade verdadeiramente desenvolvida não é apenas aquela que inaugura obras ou equilibra as contas públicas. É aquela que cria oportunidades para que seus jovens possam estudar, trabalhar, empreender, formar suas famílias e realizar seus sonhos sem precisar partir em busca de um futuro melhor em outro lugar.
Também é a cidade que valoriza sua cultura, incentiva o esporte, fortalece as entidades sociais, apoia quem produz conhecimento, preserva sua história e promove espaços onde as pessoas possam conviver com respeito e segurança.
Nenhuma dessas conquistas acontece por acaso. Elas são resultado de planejamento, diálogo e, principalmente, da capacidade de pensar além das urgências do presente.
As decisões tomadas hoje continuarão produzindo efeitos quando muitos de nós já não estivermos ocupando os mesmos espaços. É por isso que governantes, vereadores, empresários, educadores, lideranças comunitárias e cada cidadão carregam uma responsabilidade que vai muito além do mandato, da profissão ou do cargo que exercem.
Construir uma cidade é, antes de tudo, construir um legado.
Daqui a vinte anos, pouco importará quem administrava a cidade em 2026 ou quem teve razão em determinado debate político. O que realmente fará diferença será a qualidade da cidade que entregaremos às próximas gerações.
Eles herdarão nossas escolhas.
Que possam encontrar uma Assis mais desenvolvida, mais humana, mais justa e mais acolhedora do que aquela que recebemos.
Porque, no fim das contas, o maior patrimônio que uma cidade pode deixar não são seus prédios, suas avenidas ou suas estatísticas.
São as oportunidades que oferece às crianças que hoje brincam em suas praças e que, amanhã, terão a missão de escrever os próximos capítulos da sua história.
Rodrigo de Souza: Comunicador, mestre em Comunicação e pai de família, acredita que o futuro das cidades começa pelas escolhas do presente